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Roma

Trastevere, Roma: o bairro do outro lado do Tibre

O que é o Trastevere e por que ele é diferente do resto de Roma: o bairro da outra margem, de Cleópatra aos romanos que se chamam de nós outros.

O Tibre e o antigo porto do Trastevere, pintados por Gaspar van Wittel por volta de 1684.

Quase todo mundo vai ao Trastevere para jantar, e é justo: o bairro tem algumas das ruas mais bonitas de Roma e uma vida de noite que o centro não tem. Mas quem chega só com fome vê as trattorias e perde o que faz do Trastevere um lugar à parte: a história de uma margem que nunca quis ser centro.

O nome já conta a história

Trastevere vem do latim trans Tiberim, do outro lado do Tibre. Na Roma antiga, a margem direita do rio ficava fora do coração político da cidade. Era a margem dos estrangeiros, dos marinheiros e dos trabalhadores que viviam do porto fluvial, gente que chegava de todos os cantos do Mediterrâneo com as suas línguas e os seus deuses. Foi ali, numa propriedade de Júlio César, que Cleópatra ficou hospedada durante a sua estada em Roma: até a rainha do Egito, na cidade, morava do outro lado do rio.

Uma margem que virou identidade

Com os séculos, o que era periferia virou orgulho. Os moradores do Trastevere passaram a se ver como os romanos mais romanos de todos, e criaram um nome para si mesmos: noantri, nós outros, em dialeto. É um bairro que se apresenta como diferente do resto da cidade, e que ainda celebra essa diferença em festa própria.

Essa identidade explica a paisagem. Enquanto o centro foi sendo redesenhado por papas e reis, com praças monumentais e avenidas, o Trastevere guardou a escala de bairro: ruas estreitas de pedra, casas de cor ocre, roupa estendida nas janelas, igrejas antigas encaixadas no meio da vida de todo dia. Algumas delas guardam tesouros da arte medieval e barroca que muita gente atravessa o oceano para ver, sem saber que estão ali.

A Roma que quase desapareceu

Depois da grande enchente de 1870, Roma começou a erguer os muros altos que hoje acompanham o Tibre. A obra protegeu a cidade, mas apagou a beira-rio antiga, com as suas casas debruçadas sobre a água. O pintor Ettore Roesler Franz percebeu o que se perdia e passou anos registrando em aquarela essa Roma prestes a sumir. O Trastevere aparece muitas vezes nas pinturas dele. Andar pelo bairro hoje é andar pelo que sobreviveu.

Ver mais do que se vê sozinho

O Trastevere é o bairro onde mais se passa diante das coisas sem vê-las, porque a vida da rua puxa o olhar. No passeio pelo Trastevere do Viaggio e Arte, a pé e para grupos de 1 a 6 pessoas, o guia mostra o que cada fachada esconde e conta as histórias que o bairro não escreve nas placas, no seu ritmo.

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